Acabei de assistir (mais uma vez) os filmes da trilogia O Senhor dos Anéis. Dessa vez foi diferente porque assisti a versão estendida. Na versão estendida aparecem novas cenas e cenas estendidas e vale muito a pena. Ainda não assisti aos DVDs dos apêndices, mas devem ter novidades em relação às informações especiais que vinham nos DVDs normais.
Eu tenho adoração por essa história, apesar dos filmes serem diferentes dos livros, são ótimas adaptações e o principal está ali. Claro que tem uma ou outra coisinha que gostaria que fosse mais fiel ao livro, mas tudo bem…
Para quem não sabe o filme conta a história de Frodo e seus amigos que buscam destruir o Um Anel, que é capaz de destruir o mundo no qual viviam. JRR Tolkien, que é o autor dos livros, desenvolveu primeiramente a língua dos elfos e só depois fez uma história para os falantes do idioma que tinha inventado. Para mim é muito mais do que uma simples história, se incorporou e já faz parte da minha vida.
Gosto muito do primeiro filme – A Sociedade do Anel, acho o filme mais leve, mais legal de todos; impossível não se apaixonar pelo Condado e seu povo e por Gandalf, para mim o melhor personagem de todos. No segundo – As Duas Torres – começam as guerras e se torna mais pesado, tanto por causa delas como por causa do desenvolver da história. E o terceiro – O Retorno do Rei – é mais emocionante, mais triste, e é impossível não chorar no final (principalmente se você tiver lido o livro, que é bem mais desenvolvido).
A história é um ensinamento de amizade entre diferentes pessoas, credos, raças… Há até uma alusão a uma relação homossexual entre Frodo e Sam, mas não acredito nisso. O mundo atual anda tão cruel, tão frio, as pessoas tão distantes, que é inconcebível a demonstração de amizade sem que as pessoas sejam taxadas de homossexuais. Não existem mais abraços, mais declarações de amizade (só no facebook, mas isso não conta), mais lágrimas pelos amigos, só existem as relações frias e desalmadas….
É uma história que tenho comigo e vou levar para sempre. Me emociono sempre, quando leio ou assisto, e às vezes até quando lembro, porque para mim tudo aquilo aconteceu, e quando Frodo destrói o Um Anel e salva a Terra Média, salva também a mim e ao meu mundo….
Sabe quando você encontra alguém que conheceu e essa pessoa está diferente (mais velha, mais gorda, mais magra, mais pobre…) e você percebe que o tempo passa de uma forma muitas vezes cruel? É isso que Jennifer Egan traz em seu livro: a passagem do tempo para diferentes personagens, mas de uma forma muito bacana: não há um só narrador ou um só tempo. Os personagens vão e vem assim como o tempo.
As histórias que parecem independentes entre si, mostram-se muito bem amarradas através da ligação entre seus personagens em algum momento do livro, e é isso que torna o livro muito legal, um personagem aparentemente sem nenhuma pretensão volta como principal, contando sua história e trazendo mais personagens que logo voltam…
Os dois personagens que mais têm ligação com os outros são Bennie e Sasha. Bennie é um produtor musical que gosta de colocar flocos de ouro em seu café. Sasha é em algum momento assistente de Bennie e uma cleptomaníaca em recuperação.
O livro é mesclado ora por histórias mais alegres ora por histórias tristes. Mostra um personagem criança ou no início da carreira para depois mostrá-lo melhor (ou pior). Algumas histórias são narradas na primeira pessoa, outras não, uma delas é contada na forma de slides, o que dá um tom diferente mas ao mesmo tempo interessante, e não é porque é em slide que deixa de ser uma boa história.
Gostaria que tivesse um “A Visita Cruel do Tempo 2″ para conhecer um pouco mais os personagens, conhecer outros que só foram citados. Seria uma experiência muito boa ler a continuação.
Até que ponto a alma humana suporta um estado de infelicidade sem sucumbir? E se essa infelicidade for decorrente de um amor não correspondido? Os sofrimentos que Werther passou na história contada no livro são dessa natureza. Um amor devotado à Carlota (Charlotte no original), uma moça deveras bondosa, bonita, educada, mas comprometida com Alberto.
O livro é escrito de forma epistolar (através de cartas) em que Werther conta a seu amigo Guilherme como conheceu Carlota e os sentimentos que surgem desde então. Nas primeiras cartas ele se mostra bem humorado e apaixonado pela natureza, pelas pessoas, um romântico. Depois de conhecer Carlota ele só tem olhos para ela, não consegue trabalhar ou fazer qualquer outra atividade que ela não esteja presente.
O livro foi precursor do romance alemão, teve muitos seguidores, inclusive no vestuário: paletó azul e colete amarelo (as roupas que Werther usava quando cometeu o suicídio); e fez com que muitos rapazinhos abdicassem da vida, o que instigou muitas críticas ao livro.
O livro é de certa forma autobiográfico, pois Goethe viveu um amor não correspondido e soube de um caso que um rapaz tirou a vida por causa de amor assim. Diz-se inclusive que Goethe tirou a vida de Werther para não matar a si próprio.
O livro conta com passagens maravilhosas, frases bonitas, reflexivas, mas também têm algumas passagens chatinhas, descrições da natureza de forma poética e cansativa, mas um bom livro mesmo assim.
Muitos dos filmes de sucesso são originados de livros. Muitos completamente diferentes das histórias que os originaram, alguns tão bons quanto e pouquíssimos melhores. Quando falo de bom/ruim/melhor penso no quanto o filme é fiel ao livro, se este for bom é claro.
Mas entendo o quanto é difícil para um filme captar os detalhes de certos livros. Um deles é Misto-quente de Charles Bukowski. Não sei se existe alguma adaptação para o livro ou filme inspirado na história. Digo que é difícil essa adaptação porque não seria fácil captar a ironia, a tristeza, o sarcasmo, a realidade cruel, a falta de amor, a pobreza dos Estados Unidos pós-depressão de uma forma tão brilhante quanto Bukowski retrata em seu livro. Todas essas características tornam o livro único, não li nada parecido como a forma crua de Misto-quente, mas sei que certamente existem.
Não li outros livros do autor para saber se essas características permanecem, e nem quais outros autores escrevem de forma semelhante, só sei que este livro abriu uma portinha para a literatura que retrata a realidade de forma crua, mas real, verdadeira, sem “felizes para sempre”.
Falando um pouquinho sobre a história: Henry é um menino pobre com pais ausentes, que gosta de ficar sozinho e que por isso leva a fama de metido, durão. Um garoto sem perspectiva, sem desejos, sem “sorte” com garotas ou trabalho. Henry relata sua vida a partir de uns 2 anos, que é quando tem lembrança de algo. Fala da relação do pai e da mãe, da avó, dos tios, dos colegas, do que pensa deles, do que pensa que eles pensam dele.
A forma como Henry conta sua história e especialmente seus pensamentos não seriam fáceis de serem transportados para a tela, tirando o grande brilho da obra de Bukowski, talvez por isso ninguém o tenha tentado.
Um autor (John Boyne) com um livro muito bom (O menino do pijama listrado), um segundo livro bom (O garoto no convés) e um terceiro livro (O palácio de inverno). A retrospectiva desse autor é boa, logo a vontade de conhecer esse terceiro livro surge. O veredito? O livro atende às expectativas porque é tão bom quanto os outros.
A vida de Geórgui e Zoia é contada através dos olhos dele, um mujique (Camponês russo, num tempo anterior à revolução de 1917. Dic. Aulete) que sai do interior da Russia após ter salvo o primo do czar e se torna uma espécie de guarda-costas do filho do próprio czar em São Petersburgo. A convivência com a família imperial traz, além de admiração, respeito e lealdade, a paixão pela filha mais nova, Anastácia.
O livro é interessante especialmente na forma como é contado. Em um capítulo estamos com Geórgui jovem e no outro estamos com Geórgui já idoso, casado com Zoia (que está no hospital) e relembrando a vida de ambos. Os anos vão se encontrando, e vamos acompanhando a história e como Geórgui chegou até aquele momento.
A família imperial para qual Geórgui trabalha são os Romanov, última família de czares da Russia. O autor retrata através dos olhos de Geórgui como a família foi executada em 1918. As pessoas existiram, a execução existiu, mas a história de Geórgui e Zoia não. Mas poderia ter acontecido, tamanha a realidade que o autor deposita nos personagens.
Um livro gostoso de ler com personagens cativantes, uma história que desde o início prende o leitor.